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"O consumo
de uma água saudável é fundamental à
manutenção de um bom estado de saúde. Existem
estimativas da Organização Mundial de Saúde
de que cerca de 5 milhões de crianças morrem todos
os anos por diarréia, e estas crianças habitam de
modo geral os países do Terceiro Mundo. Existem alguns cuidados
que são fundamentais. O acesso à água tratada
nem sempre existe na nossa população - principalmente
na população de periferia. Deve-se tomar muito cuidado
porque a contaminação dessa água nem sempre
é visível. A água de poço e a água
de bica devem ser usadas com um cuidado muito especial, porque muitas
vezes estão contaminadas por microrganismos que não
são visíveis a olho nu. Mesmo com a água tratada
deve-se ter alguma cautela, porque muitas vezes há contaminação
na sua utilização: recipientes que são utilizados
com falta de higiene, mãos que não são suficientemente
bem lavadas... Todos esses fatores podem estar interferindo num
caso de diarréia. Muitas outras doenças importantes
também podem ser causadas pela água contaminada".
Dra. Carmem
Unglert Dept.o de Saúde Materno-Infantil Faculdade Saúde
Pública - USP
A água
também se encontra ameçada pela poluição,
pela contaminação e pelas alterações
climáticas que o ser humano vem provocando. Além do
perigo que representa para a saúde e bem-estar do homem,
a degradação ambiental é apontada pela Organização
Mundial de Saúde como uma importante ameaça ao desenvolvimento
econômico. Em geral, uma pessoa só toma consciência
da importância da água quando ela lhe falta...
Enchentes
Enchente não
é, necessariamente, sinônimo de catástrofe.
É apenas um fenômeno natural dos regimes dos rios.
Não existe rio sem enchente. Por outro lado, todo e qualquer
rio tem sua área natural de inundação. As inundações
passam a ser um problema para o homem quando ele deixa de respeitar
esses limites naturais dos rios. Por exemplo, quando remove as várzeas
e quando se instala junto às margens. Ou então quando
altera o ambiente de modo a modificar a magnitude e o regime das
enchentes, quando desmata, remove a vegetação e impermeabiliza
o solo.

"As
alterações que o homem provoca na bacia hidrográfica,
alterando suas características físicas, também
aumentam o prejuízo dessas enchentes. Como o homem altera
as características da bacia?
De
diversas formas. A primeira, ou a mais importante, é quando
ele suprime a cobertura vegetal e introduz obras com características
de impermeabilização do solo, como construção
de casas, telhados, pavimentação de ruas, quintais
etc.
Perdemos a capacidade de retenção da água através
da vegetação e perdemos também a capacidade
de infiltração dessa água no solo. Por conseguinte,
os volumes de água que chegarão nos rios serão
sempre maiores. E, portanto, os prejuízos das inundações
também serão maiores.
A pergunta que fica é: como podemos enfrentar o problema
dos prejuízos decorrentes das inundações?
Existem basicamente três formas: a primeira é não
ocupar as áreas de inundação; a segunda é
não alterar - ou alterar o menos possível - as características
físicas da bacia hidrográfica. E, por último,
através da implantação de obras de contenção
de cheias, como a construção de barragens, reservatórios,
construção de diques para proteção de
áreas de riscos altos de inundação, enfim,
outras obras de engenharia, do tipo desassoreamento de rios e ampliação
de seus leitos. Todas essas obras têm uma característica
comum: são extremamente caras e onerosas para a sociedade.
Conquanto tenha um certo grau de eficiência, nós podemos
dizer que elas não são absolutamente eficazes porque,
mesmo contando com essas obras, sempre haverá um evento de
chuva, um evento de cheia que provocará uma inundação
maior do que aquelas para as quais essas obras foram projetadas".
Constante
Bombonatto Engenheiro da SABESP especialista em ciclo hidrológico.
A
Água no Mundo
A
água tem se tornado um elemento de disputa entre nações.
Um relatório do Banco Mundial, datado de 1995, alerta para
o fato de que "as guerras do próximo século serão
por causa de água, não por causa do petróleo
ou política".
Hoje,
cerca de 250 milhões de pessoas, distribuídos em 26
países, já enfrentam escassez crônica de água.
Em 30 anos, o número de pessoas saltará para 3 bilhões
em 52 países. Nesse período, a quantidade de água
disponível por pessoa em países do Oriente Médio
e do norte da África estará reduzida em 80 por cento.
A projeção que se faz é que, nesse período,
8 bilhões de pessoas habitarão a terra, em sua maioria
concentradas nas grandes cidades. Daí, será necessário
produzir mais comida e mais energia, aumentando o consumo doméstico
e industrial de água. Essas perspectivas fazem crescer o
risco de guerras, porque a questão das águas torna-se
internacional.
Em
1967, um dos motivos da guerra entre Israel e seus vizinhos foi
justamente a ameça, por parte dos árabes, de desviar
o fluxo do rio Jordão, cuja nascente fica nas montanhas no
sul do Líbano. O rio Jordão e seus afluentes fornecem
60 por cento da água necessária à Jordânia.
A Síria também depende desse rio.
A
populosa China também sofre com o problema. O grande crescimento
populacional e a demanda agroindustrial estão esgotando o
suprimento de água. Das 500 cidades que existem no país,
300 sofrem com a escassez de água. Mais de 80 milhões
de chineses andam mais de um quilômetro e meio por dia para
conseguir água, e assim acontece com inúmeras nações.
Um levantamento da ONU aponta duas sugestões básicas
para diminuir a escassez de água: aumentar a sua disponibilidade
e utilizá-la mais eficazmente. Para aumentar a disponibilidade,
uma das alternativas seria o aproveitamento das geleiras; a outra
seria a dessalinização da água do mar.
Esses processos são muito caros e tornam-se inviáveis
para a maioria dos países que sofrem com a escassez. É
possível, ainda, intensificar o uso dos estoques subterrâneos
profundos, o que implica utilizar tecnologias de alto custo e o
rebaixamento do lençol freático.
A
Água no Brasil
O
Brasil é um país privilegiado no que diz respeito
à quantidade de água. Sua distribuição,
porém, não é uniforme em todo o território
nacional.
.....Bacias
Hidrográficas Brasileiras
A
Amazônia, por exemplo, é uma região que detém
a maior bacia fluvial do mundo. O volume d'água do rio Amazonas
é o maior do globo, sendo considerado um rio essencial para
o planeta. Essa é, também, uma das regiões
menos habitadas do Brasil.
Em
contrapartida, as maiores concentrações populacionais
do país encontram-se nas capitais, distantes dos grandes
rios brasileiros, como o Amazonas, o São Francisco e o Paraná.
E há ainda o Nordeste, onde a falta d'água por longos
períodos tem contribuído para o abandono das terras
e para a migração aos centros urbanos, como São
Paulo e Rio de Janeiro, agravando ainda mais o problema da escassez
de água nessas cidades. Além disso, os rios e lagos
brasileiros vêm sendo comprometidos pela queda de qualidade
da água disponível para captação e tratamento.
Na
região amazônica e no Pantanal, por exemplo, rios como
o Madeira, o Cuiabá e o Paraguai já apresentam contaminação
pelo mercúrio, metal utilizado no garimpo clandestino. E
nas grandes cidades esse comprometimento da qualidade é causado
principalmente por despejos domésticos e industriais.
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Garimpo
Clandestino
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Despejos
Domésticos
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"Se a bacia
é ocupada por florestas nas condições naturais,
essa água vai ter uma boa qualidade porque vai receber apenas
folhas, alguns resíduos de decomposição de
vegetais. &eacutE; uma condição perfeitamente
natural. Mas, se essa bacia começar a ser utilizada para
a construção de casas, para implantação
de indústrias, para plantações, então
a água começará a receber outras substâncias
além daquelas naturais, como, por exemplo o esgoto das casas
e os resíduos tóxicos das indústrias e das
substâncias químicas aplicadas nas plantações.
Isso vai contribuir para que a água vá piorando de
qualidade. Por isso ela deve ser protegida na fonte, na bacia. Essa
água, depois, vai ser submetida a um tratamento para ser
usada pela população. Mas, mesmo a estação
de tratamento tem suas limitações. Ela retira com
facilidade os produtos de uma floresta, de uma condição
natural. Mas esgotos pioram muito, e a presença de substâncias
tóxicas vai tornando esse tratamento cada vez mais
caro. Acima de um certo limite, o tratamento nem mais é possível,
porque existe uma limitação para a capacidade depuradora
de uma estação de tratamento. Então, a água
se torna totalmente imprestável".
Samuel Murgel
Branco Prof. titular da Faculdade Saúde Pública -
USP.
Esses problemas
atingem também os principais rios e represas das cidades
brasileiras, onde hoje vivem 75% da população.
· Em
Porto Alegre, o rio Guaíba está comprometido pelo
lançamento de resíduos domésticos e industriais,
além de sofrer as conseqüências do uso inadequado
de agrotóxicos e fertilizantes.
· Brasília,
além de enfrentar a escassez de água, tem problemas
com a poluição do lago Paranoá.
· A ocupação
urbana das áreas de mananciais do Alto Iguaçu compromete
a qualidade das águas para abastecimento de Curitiba.
· O
rio Paraíba do Sul, além de abastecer a região
metropolitana do Rio de Janeiro, é manancial de outras importantes
cidades de São Paulo e Minas Gerais, onde são graves
os problemas devido ao garimpo, à erosão, aos desmatamentos
e aos esgotos.
· Belo
Horizonte já perdeu um manancial para abastecimento - a lagoa
da Pampulha - que precisou ser substituído pelos rios Serra
Azul e Manso, mais distantes do centro de consumo. Também
no rio Doce, que atravessa os Estados de Minas Gerais e Espírito
Santo, a extração de ouro, o desmatamento e o mau
uso do solo agrícola provocam prejuízos enormes à
qualidade de suas águas.
· O Estado
de São Paulo sofre com a escassez de água e com problemas
decorrentes de poluição em diversas regiões:
no Alto Tietê junto à região metropolitana;
no rio Turvo; no rio Sorocaba, entre outros.
FONTE:
www.tvcultura.com.br
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