Polícia Militar 190
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CONSELHO COMUNITÁRIO DE SEGURANÇA DE TEODORO SAMPAIO

 

UMA QUESTÃO DE HONRA
João Mellão Neto.

Texto Parcial do original publicado no jornal "O Estado de S.Paulo" de 08/03/02.

Você, leitor, muito provavelmente não sabe o que é um "pemezito". Trata-se de uma medalha redonda sobre um fundo de couro que alguns policiais ostentam no bolso esquerdo da camisa. A Láurea do Mérito Pessoal é um privilégio de poucos. Somente os melhores entre os melhores logram alcançá-la. É a marca dos bravos, daqueles que se destacaram - revelando inteligência e destemor - no confronto com os bandidos. A cor do couro varia - preto, vermelho, branco. Aqueles poucos que chegam à cor branca se tornam verdadeiras lendas vivas na corporação. Sempre que converso com um policial militar e vejo no seu uniforme um "pemezito", faço questão de cumprimentá-lo. Ajo assim porque sei que ninguém o faz. Aquele homem é um herói. Mas é um herói anônimo, incompreendido, uma vez que a esmagadora maioria da população não faz a menor idéia do que aquela condecoração significa. Não lhe conferimos o menor valor. Mal sabemos nós o quanto de si aquele policial empenhou para merecê-la. O "pemezito" é o símbolo maior do imenso abismo de valores, crenças e convicções que distingue o policial do cidadão comum. Nós não costumamos arriscar a vida por medalhas. Lutamos por dinheiro, conforto, status, poder. Jamais por recompensas simbólicas. Não obstante o policial o faz. Para ele, o valor maior é a honra, sua grande ambição é o reconhecimento. Alguns dirão que tudo isso é bobagem, que não são todos os policiais que pensam assim. Todos não, concordo. Mas a maioria, com certeza. O que levaria milhares e milhares de jovens, todos os anos, a abraçar a carreira policial? O que leva centenas de filhos da classe média a procurar a Academia do Barro Branco? Existem horizontes mais promissores. A carreira policial, como o sacerdócio, é antes de tudo uma vocação. Os exames de admissão são difíceis, o curso é penoso, a disciplina é férrea, os sacrifícios e renúncias pessoais são inúmeros. Tudo isso em troca do quê? De uma carreira rígida, com baixa remuneração, poucas recompensas e altíssimo risco - inclusive da própria vida. Refiro-me, aqui, a policiais militares, mas o argumento também é valido, em grande parte, para os civis. O treinamento é árduo. Uma coisa é preparar gerentes para trabalhar em empresas; outra, bem diferente, é forjar soldados para enfrentar uma guerra.

No futuro policial há de se incutirem valores tais como o brio, a disciplina, a hierarquia, o espírito de corpo, a coragem, a renúncia de bens e o sentimento exaltado do dever. É uma preparação massacrante. Mas dela emerge um novo homem. Um homem substancialmente diferente dos demais. Muitos se corrompem pelo caminho, é verdade. Outros tantos acabam por adotar padrões éticos mais liberais. Mas a maioria não. Os valores que lhes foram incutidos permanecem por toda a vida. Dê-lhes reconhecimento e eles serão capazes de operar milagres. Mas negue-lhes isso e os terá despojado de tudo.

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