Mar subterrâneo

Por Emiliano Capozoli Biancarelli

Com seu 1,6 milhão de quilômetros quadrados, o Aqüífero Guarani ocupa a área de oito estados brasileiros e estende-se ainda pelos territórios do Uruguai, Paraguai e Argentina.

É o maior reservatório de água subterrânea do mundo. Sua distância da superfície varia bastante: no Mato Grosso, ele fica abaixo de uma grossa camada de sedimentos e lava dura, atingindo 2 mil metros de profundidade. Já no nordeste do Estado de São Paulo, suas águas chegam a aflorar em alguns pontos, o que as deixa mais vulneráveis a agentes contaminadores, como pesticidas e lixo.

Os países do Mercosul acabam de tomar as primeiras providências para assegurar um de nossos direitos vitais: o acesso à água. Foi assinado, no final de maio, um projeto envolvendo Uruguai, Argentina, Brasil e Paraguai para proteger a maior reserva de água subterrânea do mundo, o Aqüífero Guarani. O acordo prevê medidas de controle de extração, prevenção da poluição e criação de um banco de dados.

Esse imenso lago escondido fica aqui, bem debaixo de nossos pés. Tem 1,6 milhão de quilômetros quadrados - área equivalente à de toda a União Européia -, dois terços da qual estão no Brasil. Para se ter uma idéia do seu potencial, a quantidade de água nele contida pode abastecer 150 milhões de habitantes por 2.500 anos. Além do tamanho, a extração de sua água é até dez vezes mais barata que a de um rio: "Essa água já passou por uma depuração, não precisa ser tratada", explica Aldo Rebouças, fundador da Asssociação Brasileira de Águas Subterrâneas (Abas).

PERIGO IMINENTE: O Brasil responde por 75% da extração das águas do Guarani. No entanto, ambientalistas vêm alertando para a perfuração indiscriminada de poços sem controle sanitário, o que implica risco de contaminação do lençol.

A área mais ameaçada está em São Paulo, onde é aplicado 70% do agrotóxico utilizado em todo o país. Há oito meses, o risco de o aqüífero atingir o nível crítico de poluição nessa região chegava a 80%. Agora, no entanto, um levantamento feito pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) revelou que o uso de pesticidas reduziu em 30%. "Os agricultores vêm diminuindo as dosagens dos produtos", explica Marco Antônio Ferreira Gomes, da Embrapa.

A impotância de acordos multilaterais como o que acaba de ser formalizado é padronizar as legislações dos países por onde o aqüífero se estende. Se for bem-sucedido, tudo indica que, ao menos no Mercosul, ainda teremos água por um bom tempo.

Fonte: http://www.jj.com.br/
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