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RECICLAGEM DE PAPEL

DEMANDA (o que foi solicitado)

Informações técnicas e mercadológicas para abertura de empresa recicladora de papel

INTRODUÇÃO/APRESENTAÇÃO DO TEMA

A reciclagem apresenta importância para a Ecologia, além de representar uma atividade econômica lucrativa e cada vez mais explorada. O lixo urbano e o lixo industrial constituem-se em fontes de matéria prima para a indústria de reciclagem, sendo que cada vez mais aprimoram-se sistemas de coletas seletivas, apoiados por organizações civis e governamentais ligadas a movimentos ecológicos. O papel, dentro desse contexto, possui já tecnologia para reciclagem e há viabilidade econômica para se estruturar indústrias. Nesse trabalho são apresentados dados sobre processos industriais e avaliação de mercado além da própria viabilização do negócio.

Processo/formulação

(descrever e informar procedimentos de manuseio)

Podem ser utilizados desde processo artesanal até processos industriais para permitir a reciclagem do papel. No processo artesanal são utilizados liquidificadores onde o papel coletado é desfibrado. A seguir produtos químicos são adicionados na massa produzida para retirar as tintas e produzir o branqueamento. Na sequência a massa passa a ganhar forma com o auxílio de uma pequena prensa e uma máquina para secar o material.

O processo industrial conta com uma máquina do tipo Pumper/Hidropumper, uma espécie de liquidificador em forma de tanque cilíndrico e rotor giratório no fundo. Esse equipamento desagrega o papel misturado com a água e ainda possui uma peneira abaixo do rotor que deixa passar as impurezas. Nesse estágio devem ser adicionados produtos químicos como soda cáustica para extrair a tintura. Assim, as fibras são hidratadas e é formada uma massa que fica de 20 a 40 min. na rotação, dependendo do papel que se deseja produzir.

Num estágio seguinte a massa segue para uma máquina de depuração, do tipo Centrecleaners, onde são retiradas as impurezas (areias existentes na massa). Em seguida a massa passa por tanques e daí vai para os refinadores (abrem um pouco mais as fibras de celulose). Depois de refinada a massa passa para um outro sistema de depuração, é branqueada com compostos de cloro e peróxidos, até chegar na cabeceira de produção de papel (desse ponto é como se fosse produzir papel novo).

MATÉRIA-PRIMA

(qualificar e quantificar)

O lixo urbano e industrial, formado por papel, constitui-se na matéria-prima. O papel é produzido a partir de fibras de madeira, passando pelo seguinte ciclo: fibras virgens, preparação de pastas, manufatura do papel, conversão e uso final. A fibra reciclada é qualquer fibra que já passou pelo menos uma vez por uma máquina de papel. O papel reciclado é o papel feito por uma grande quantidade de fibras que já passaram pelo menos uma vez por uma máquina de papel, e que são provenientes de aparas recolhidas de usuários finais.

Segundo o IBGE, o lixo urbano possui uma grande quantidade de papel que pode ser aproveitado para reciclagem. A quantidade de papel/papelão do lixo brasileiro gira em torno de 1.955 mil t./ano (44% do lixo de 1990), sendo que desse total, 75% do papel circulante é reciclável. O material proibitivo, papel que não pode ser reciclado, é constituído por: papel vegetal, papel encerado, papel carbono, papel laminado, papéis com colas à base de resina sintética ou com fitas adesivas.

Com as fibras reaproveitadas a partir da reciclagem das aparas, podem ser produzidos vários tipos de papel, como: papel para impressão, papel para escrever (tipo apergaminhaco), papel para embalagem, papel para fins sanitários, cartões e cartolinas e papelão (miolo, capas...). Há no Brasil 22 categorias de aparas passíveis de reciclagem, classificadas pelo IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) e pela Associação Nacional de Fabricantes de Papel e Celulose.

INFRA-ESTRUTURA

(instalações, equipamentos, maquinários)

O maquinário necessário constitui-se em:

a) Moinho;

b) Refinador:

c) Despastilhador;

d) Hidrociclones;

e) Peneiras.

O empresário que decidir investir na reciclagem deverá também se preocupar em obter meio de transporte para trazer o papel passível de reciclagem e com uma estrutura física que comporte abrigar a matéria prima afastada de chuvas e outras intempéries.

ASPECTOS ECONÔMICOS/COMERCIAIS/GERENCIAIS

A reciclagem do papel encontra viabilidade econômica num curto prazo, visto que todo mundo vem passando por uma crise da indústria de papel, com aumento de demanda associado à escassez de matéria prima (a madeira), um dos principais focos de atenção de movimentos ecologistas. Assim, a reciclagem surge como alternativa ecológica e econômica.

Os maiores problemas ainda enfrentados pelos recicladores do papel no Brasil são a resistência do público consumidor ao papel reciclado (devido a seu custo ainda mais alto que o papel comum e sua qualidade ainda não comparável ao outro), e o fato de o país ainda ser um grande produtor de celulose virgem, havendo pouco incentivo para a reciclagem de papel.

A matéria prima, no entanto já pode ser encontrada pelo reciclador com certa facilidade. Atualmente, aparas brancas de primeira qualidade podem ser adquiridas em torno de US$ 300 a t., enquanto que o papel de menor qualidade (apara mista), em torno de US$ 70 a t..

O reciclador deverá inicialmente pesquisar o tipo de papel que deverá ser produzido com suas fibras recicladas e qual tipo de apara ele necessitará como matéria prima. Aconselha-se que o empresário já tenha contatos feitos com possíveis demandantes de fibras, para já saber que tipo de produto será melhor aceito no mercado. Outra alternativa é o próprio reciclador se tornar um produtor de papel e aproveitar sua própria matéria prima de papel reciclado. Em qualquer hipótese, ele deverá estabelecer contratos de prestação de serviço confiáveis com os fornecedores de matéria prima de aparas, pois é comum não haver seriedade e comprometimento na manutenção de fornecimento.

ASPECTOS LEGAIS

Para firma individual, o proprietário deve apresentar os seguintes documentos para registro na Junta Comercial:

a) registro de firma individual preenchido em quatro vias e em formulário próprio;

b) CGC preenchido em três vias e encaminhado ao Setor de Cadastro de Contribuintes, que devolverá uma via de caráter protocolar, com número de inscrição, que será posteriormente anexada aos demais documentos;

c) guia de recolhimento da Taxa de Arquivamento da Junta Comercial;

d) Darf, para pagamento de serviço de registro de comércio;

e) Cópia xerográfica do CIC;

f) cópia xerográfica do CGC

Depois do registro na Junta Comercial, o interessado deve providenciar a inscrição estadual da empresa, no posto fiscal da região em que se estabelecer. É necessária ainda uma licença expedida pela Secretaria da Saúde ou Secretaria do Meio Ambiente do Estado, requerendo para tanto:

a) imposto sindical recolhido ao sindicato patronal;

b) declaração para Codificação de Atividade Econômica (Decae), formulário que informa o código de atividade de empresa;

c) Declaração Cadastral (Deca), formulário preenchido em 5 vias comunicando a abertura da empresa;

d) Taxa de Fiscalização e Serviços Diversos (TCEC), recolhimento feito ao Estado quando da solicitação da Ficha de Inscrição de Contribuinte do ICMS;

e) contrato de locação registrado;

f) firma individual ou contrato social registrado na Junta Comercial;

g) cópia xerográfica do RG;

h) ficha de inscrição do CGC;

i) recibo de conta de luz do signatário do Deca.

O passo seguinte é a inscrição da empresa na prefeitura do município, mediante um formulário preenchido em duas vias (guia de inscrição no Cadastro de Contribuintes Mobiliários - CCM), no qual serão informados razão social, endereço, tipo de serviço a ser explorado etc. Os documentos que completam o pedido de inscrição municipal são os seguintes:

a) ficha de inscrição do CGC;

b) firma individual ou contrato social;

c) cópia xerográfica do imposto predial do imóvel;

d) cópias xerográficas do RG e do CIC dos sócios.

Maiores informações podem ser obtidas no SEBRAE, Serviço de Apoio a Micro e Pequenas Empresas;

SEBRAE - R. José Getúlio, 89

Tel.: 270-3988

PALAVRAS-CHAVES

Reciclagem de Papel; Lixo industrial; Coleta Seletiva de papel

REFERÊNCIAS

(bibliográficas, empresariais, pessoais, inclusive fornecedores)

Bibliografia:

- Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios

- Informativo CEMPRE

- Reciclagem do Papel - Tecnologia e Perspectivas

Prof. Dr. José Mangolini Neves

IPT/DPFT - Celulose e papel

USP/Depto. Eng. Química - POLI

Univ. Mackenzie/Depto. Engenharia

Referências:

ABPO - Associação Brasileira de Papel Ondulado

R. Brigadeiro Gavião Peixoto, 646

tel.: (011) 831-9844.

ANAP - Associação Nacional de Aparistas de Papel

R. Brigadeiro gavião Peixoto, 719

fax.: (011) 831-0044.

ANFPC - Associação Nacional dos Fabricantes de Papel e Celulose

R. Afonso de Freitas, 499

Tel.: (011) 885-1845.

IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas

Centro Técnico de Celulose e Papel

Cidade Universitária - São Paulo, SP

CP 7141 - CEP 01051

Tel.: (011) 268-2211 r. 402.

Escola SENAI

R. Bresser, 2315

Tel.: (011) 292-1952.

USP-Recicla

Av. Luciano Gualberto, travessa J, 7 andar

Tel.: (011) 818-4428.

OBSERVAÇÕES

Vale ressaltar que há cuidados que deve ter o empresário ao iniciar no ramo de reciclagem de papel:

a) O empresário deve buscar um fornecimento confiável de matéria prima;

b) Deve ter cuidado ao escolher o maquinário, que deve ser adequado ao papel reciclado que se quer produzir e às aparas que irá utilizar como matéria prima para tanto;

c) Deve ser estudada a existência de mercado para a absorção de material reciclado;

d) Por fim, o empresário deve buscar informação técnica sobre a classificação de aparas e de papel.

FONTE: http://www.cecae.usp.br/Aprotec/respostas/RESP02.htm

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