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RECICLAGEM DE PLÁSTICO CUSTA POUCO E GERA LUCRO GARANTIDO


Além de ser uma atividade rentável, o reaproveitamento é ambientalmente correto e ameniza problemas sociais

Regina Schar

Montar uma pequena indústria recicladora de plástico granulado exige pouco capital e tem retorno garantido. O investimento inicial para uma fábrica capaz de produzir anualmente 581 toneladas é R$ 143,3 mil. A receita operacional é projetada em R$ 406,7 mil, enquanto o lucro líquido chegaria a R$ 90,4 mil a partir do primeiro ano de operação. As previsões foram feitas pelo Cempre - Compromisso Empresarial para a Reciclagem, que projeta um crescimento significativo deste mercado.
O plástico granulado é bastante utilizado na indústria de embalagens e artefatos, como matéria-prima na fabricação de baldes, regadores, mangueiras, frascos, garrafas de água sanitária e outros. De acordo com o Cempre, a indústria de embalagens plásticas está entre os setores que apresentam maior potencial de crescimento no País.
No período de 1992 a 1996, o consumo de polietilenos (todos os tipos) aumentou cerca de 14,7% ao ano. Especialistas do segmento esperam a manutenção do crescimento até o ano 2000, a uma taxa estimada de 9% ao ano.
As estatísticas revelam ainda que o consumo anual per capita de plásticos no Brasil gira em torno de 19kg, o que representa uma evolução considerável em relação a 1991 - 12,5kg por habitante. O volume é relativamente baixo, se comparado com índices de outros países como EUA (100kg/hab). A média da Europa é 80kg por habitante. Os números revelam que o mercado consumidor para as indústrias recicladoras de plástico é bastante expressivo.
Além de ser uma atividade rentável, a reciclagem de plásticos é ambientalmente correta e ajuda a minimizar problemas sociais. A destinação final dos resíduos sólidos especialmente os plásticos - é uma das maiores preocupações da população européia. Na América Latina, e especialmente no Brasil, a consciência ecológica não é tão forte, mas o problema já está sendo discutido. No Brasil, cerca de 80% do lixo sólido urbano é armazenado em lixões.
"Uma forma inadequada de dispor os rejeitos, capaz de gerar problemas ambientais e sociais", observa o diretor executivo do Cempre, André Vilhena. Os resíduos plásticos se degradam muito lentamente. São bastante resistentes a radiações, calor, ar e água. Seu percentual na composição dos resíduos sólidos urbanos pode variar de acordo com a região do País. Em Salvador, ele representa 11% na composição percentual média do lixo domiciliar.
Vilhena acredita que a indústria brasileira de reciclagem tem um excelente potencial de crescimento. "Ela está sendo estimulada à medida que cresce a consciência ecológica da população", diz. De acordo com o Cempre, existem cerca de 500 indústrias recicladoras de plástico no Brasil, concentradas na região Sudeste.
Neste momento, a entidade está desenvolvendo uma pesquisa para saber quanto o setor movimenta. Esse tipo de investimento garante retorno para o novo empresário - que pode contabilizar lucros a partir do primeiro ano de operação -, para os clientes porque o produto reciclado é mais barato e para a sociedade - já que ajuda a reduzir os dejetos dos aterros e lixões.
Para estimular empreendedores interessados na indústria da reciclagem, o Cempre lançou o Perfil de Recicladora de Plásticos. A publicação traz informações sobre o segmento, incluindo análise de mercado e informações detalhadas de aspectos técnicos e econômicos do negócio. No material, o leitor encontra, passo a passo, os processos para a montagem de uma fábrica de plástico granulado, obtido a partir do lixo domiciliar ou industrial.
0 material traz informações sobre a reciclagem de Polietileno de Baixa Densidade (PEBD), com extensão para Polietileno de Alta Densidade (PEAD) e Polietileno de Baixa Densidade Linear (PEBDL). "Esse tipo de investimento é economicamente viável, simples e traz pouco risco, pois existe um mercado consumidor com tendência de crescimento", justifica Vilhena.
Os processos produtivos compreendem as etapas de separação manual, moagem, lavagem, secagem, aglutinação e extrusão. A mão-de-obra exigida para uma fábrica de 581 toneladas/ano é estimada em 22 empregados.
O Cempre é uma associação sem fins lucrativos que reúne empresas empenhadas em desenvolver o setor de reciclagem de resíduos sólidos no Brasil, através de pesquisas, publicações, bancos de dados e outras iniciativas.
A Coca-Cola, Mercedes Benz do Brasil, Nestlé, Cervejaria Brahma, Indústria Gessy-Lever são algumas das mantenedoras da instituição. Na Série Reciclagem e Negócios o Cempre publicou outros títulos: Perfil da Recicladora de Fibras de Coco, Enfardamento e Revalorização de Sucatas de Pet, Perfil de Recicladora de Papel e o Sucateiro e a Coleta Seletiva.

Fonte: CEMPRE

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